Notícias
Dia Mundial do Alzheimer: avanço da idade, prevenção e diagnóstico precoce colocam saúde do cérebro no centro da atenção
21 de Setembro de 2026
Doença é a principal causa de demência no mundo e afeta milhões de pessoas; no Brasil, estimativas apontam 1,85 milhão de pessoas vivendo com Alzheimer e outras demências
O Dia Mundial da Doença de Alzheimer, celebrado em 21 de setembro, chama a atenção para uma condição que ultrapassa os limites do diagnóstico individual e representa um desafio crescente para sistemas de saúde, famílias e cuidadores. Com o envelhecimento da população mundial, a prevenção, a identificação dos primeiros sinais e o acesso ao acompanhamento especializado ganham cada vez mais importância.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 57 milhões de pessoas vivem atualmente com demência no mundo, e quase 10 milhões de novos casos são registrados a cada ano. A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência, correspondendo a aproximadamente 60% a 70% dos casos.
Em julho de 2026, a OMS atualizou suas orientações sobre redução do risco de declínio cognitivo e demência. A organização estima que até 45% do risco de demência pode estar relacionado a fatores potencialmente modificáveis, como tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo, isolamento social, poluição do ar, hipertensão, diabetes e colesterol elevado.
Isso não significa que a doença possa ser totalmente evitada. O Alzheimer possui múltiplos fatores associados, incluindo idade e histórico familiar, e ainda não existe cura. A evidência, porém, reforça que cuidar da saúde ao longo da vida pode contribuir para reduzir ou retardar parte dos riscos relacionados ao declínio cognitivo.
Brasil já contabiliza milhões de pessoas com demência
O cenário brasileiro também merece atenção. O Relatório Nacional sobre a Demência, elaborado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), estimou, com base no Global Burden of Disease, que 1,85 milhão de brasileiros viviam com doença de Alzheimer e outras demências em 2019.
O mesmo relatório projeta que esse número poderá chegar a 6,7 milhões de pessoas em 2050, representando um crescimento superior a 200%. Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que o país ainda possui limitações importantes na produção de dados epidemiológicos sobre demência, especialmente em relação à incidência e às diferenças entre as regiões brasileiras.
O relatório também encontrou uma prevalência média estimada de demência de 8,5% entre a população brasileira em 2019. O percentual cresce significativamente com a idade: a estimativa foi de 2% entre pessoas de 60 a 64 anos, 21,2% entre aquelas de 80 a 84 anos e 43,8% entre pessoas com 90 anos ou mais.
O Nordeste apresentou uma prevalência estimada de 10,1%, acima da média nacional de 8,5%. Para a região, o estudo estimou prevalências de 2,1% entre pessoas de 60 a 64 anos, 8,5% entre 70 e 74 anos, 22,7% entre 80 e 84 anos e 46,2% entre pessoas com 90 anos ou mais.
É importante destacar que esses percentuais se referem a demência em geral, e não exclusivamente à doença de Alzheimer.
Envelhecimento aumenta a importância da prevenção
O avanço da longevidade é um dos fatores que ajudam a explicar a crescente atenção dada às doenças neurodegenerativas. Dados do Censo 2022 mostram que 10,2% da população de Pernambuco tinha 65 anos ou mais, percentual que era de 4,5% em 1980. O indicador evidencia a transformação da estrutura etária do Estado ao longo das últimas décadas.
No Recife, a população idosa também representa uma parcela expressiva dos habitantes. Dados apresentados pela Prefeitura do Recife com base no Censo 2022 apontam aproximadamente 265 mil pessoas com 60 anos ou mais, correspondendo a cerca de 18% da população da capital pernambucana.
Em levantamento da Secretaria de Saúde do Recife para 2024, a população com mais de 60 anos representava aproximadamente 17% dos habitantes estimados do município. O documento também demonstra a concentração populacional nas faixas etárias mais avançadas, reforçando a necessidade de políticas de atenção à saúde da pessoa idosa.
A cidade conta ainda com o Hospital Eduardo Campos da Pessoa Idosa, equipamento público especializado no atendimento à população a partir dos 60 anos, além de serviços de geriatria que incluem prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças como demências, hipertensão e diabetes.
Esquecimento nem sempre é Alzheimer
Um dos desafios relacionados à doença é diferenciar alterações comuns do envelhecimento de sinais que precisam ser investigados por um profissional de saúde.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Alzheimer provoca deterioração progressiva da memória e de outras funções cognitivas, podendo comprometer a realização de atividades cotidianas. Alterações de comportamento e sintomas neuropsiquiátricos também podem ocorrer ao longo da evolução da doença.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- perda de memória que interfere na rotina;
- dificuldade crescente para realizar tarefas habituais;
- problemas para encontrar palavras ou acompanhar conversas;
- desorientação em relação a tempo e espaço;
- dificuldade para lidar com situações que antes eram familiares;
- mudanças persistentes de comportamento ou personalidade;
- perda progressiva de autonomia.
A presença desses sinais não significa necessariamente que a pessoa tenha Alzheimer. Outras condições podem produzir alterações cognitivas, e somente uma avaliação profissional pode estabelecer o diagnóstico adequado.
Diagnóstico precoce ajuda a organizar o cuidado
A identificação precoce tem papel importante na condução do caso. O Ministério da Saúde destaca que a Atenção Primária à Saúde é uma porta de entrada fundamental para a identificação de sinais de demência e o encaminhamento adequado para avaliação especializada.
O diagnóstico também permite que a família compreenda melhor a condição, organize os cuidados e acompanhe a evolução clínica. O tratamento pode envolver medicamentos, acompanhamento médico e atuação de diferentes profissionais de saúde, de acordo com as necessidades de cada paciente.
Além disso, o cuidado não se limita à pessoa diagnosticada. A progressão da doença pode aumentar a necessidade de apoio para alimentação, higiene, segurança, mobilidade e outras atividades da vida diária, fazendo com que familiares e cuidadores também necessitem de orientação e suporte.
Cuidar do cérebro também é cuidar da saúde como um todo
As recomendações mais recentes da OMS reforçam que a saúde cerebral está relacionada a diversos aspectos da saúde ao longo da vida. Manter atividade física regular, não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool, adotar alimentação equilibrada e controlar condições como hipertensão, diabetes e colesterol elevado são medidas que podem contribuir para a redução de fatores de risco associados à demência. A OMS também recomenda atenção à saúde auditiva, à atividade cognitiva e à participação social.
A mensagem do Dia Mundial do Alzheimer, portanto, vai além da doença. Ela reforça a importância de olhar para o envelhecimento de forma integral, valorizar a prevenção e procurar assistência diante de mudanças persistentes na memória ou no comportamento.
Em um país e em uma cidade que passam por um processo acelerado de envelhecimento populacional, ampliar a informação e o acesso ao cuidado é parte fundamental da construção de uma longevidade com mais autonomia, dignidade e qualidade de vida.
